Dia 21… – Um novo mundo

boston

Acho que dormi a viagem inteira, o voo foi tranquilo e por volta de oito da noite desembarquei no aeroporto de Logan, é enorme. Uma moça oriental me esperava como naqueles filmes americanos onde as pessoas chegam e alguém as espera com uma plaquinha com o nome, e lá estava o meu: Juliette.

Ela se apresentou, chamava – se Maya, seria minha anfitriã na cidade contemporânea, minha reserva era para o Fairmont, acho que era um dos hotéis mais lindos que já vi no mundo.

O quarto era um pouco pequeno, mas confortável e aconchegante, os funcionários bem educados e meu inglês enferrujado.

Ficava próximo a tudo e eu me locomoveria fácil, isso claro se meu senso de direção não decidir me zoar internacionalmente.

Nunca deitei numa cama tão macia quanto essa, exceto…

Vou conhecer o prédio da empresa que contratou nossos serviços amanhã a tarde, Maya me explicou no aeroporto que seu chefe preferia as reuniões com pessoas que viajam no período da tarde, pois sabia que o fuso horário fazia efeitos catastróficos na parte da manhã. Eu nem pestanejei, apenas acenei com a cabeça em concordância.

Caí na cama feito uma pedra, mas acordei por volta das nove da manhã, tomei um café extremamente forte, meu paladar estranhou, mas não estava ruim, você provavelmente colocaria açúcar dessa vez… Me desculpa, eu não queria dizer isso.

Comi um croissant quentinho e me pareceu ótimo, eu até que me sentia bem, mesmo acordando do outro lado do mundo e sozinha, numa cama que não era a minha, eu não me sentia a estranha no ninho.

Senti falta dos miados de Netuno e dos gritos de Valentina correndo atrás dele.

O celular tocou nesse instante enquanto eu sorria feito boba, lembrando dos passinhos de coelho, e para minha surpresa, a vozinha fanhosa disse alô do outro lado da linha.

Fiquei feliz e nada no mundo podia me roubar aquela felicidade, ela disse que já sentia saudades, me contou que fora tomar sorvete com o pai depois de me deixar no aeroporto e que a noite o “papai tinha ficado dodói de novo, mas que ela e tia Hortência cuidaram dele”, pedi que ela passasse o telefone para Hortência, já preocupada.

Ele só cortou um dedo fazendo janta.” –  ela disse antes mesmo de eu perguntar, respirei aliviada.

Ela me perguntou como estavam sendo as primeiras horas em Boston, e até me pediu para conhecer assim que sobrasse um tempinho o Prudential Tower, um observatóio que havia ali, prometi que tentaria.

Eu realmente queria ter conhecido Boston no Inverno, dizem que o lago Front Pond vira uma pista de patinação, ia ser divertido levar uns tombos… Rs

O “passeio” pela empresa estava marcado para as duas da tarde, Maya ia me apresentar os setores e a imediações, devido á um outro compromisso a reunião ia ter que esperar. Ainda me restavam três horas até o tal “passeio” e optei por andar um pouco, me arrumei e de onde estivesse encontraria meu caminho até o prédio para encontrar minha anfitriã.

O museu de história natural era lindo, as cores, as obras, a arquitetura de algumas salas nos davam a sensação de estar em outro lugar constantemente. Parecia tudo tão cheio de vida, era tudo tão mais claro, ou será que era eu que havia tirado uma trave dos meus olhos?

Sentei em um banco que havia próximo a praça de Harvard, a vista era linda, o Sol morno, nada daquele abafado e sufocante mormaço brasileiro.

Seria o lugar perfeito pra se viver, até cogitei a ideia, mas eu ia sentir falta de tanta coisa, de tantos lugares e pessoas, aliás quem bateria em minha porta numa manhã de Domingo com um gato miando?

As horas passaram lenta e ainda dava tempo de voltar ao Fairmont antes de ir pra empresa, adentrei o saguão e cumprimentei a moça da recepção para saber se Maya havia me deixado algum recado.

Marina?”

Sabe aquele ditado que diz: Que quando o mundo gira até as pedras se encontram?

Não reconheci a voz de imediato e não teria dado o mínimo de atenção se não tivesse olhado pra trás, aquele par de olhos da cor do âmbar, me olhavam de forma inquisitiva, esperando uma resposta.

João Pedro?”

Um velho amigo, da época de escola, a diferença era que agora o garoto magricela, de aparelho e cheio de espinhas e óculos fundo de garrafa, dera lugar á um homem charmoso, quase irreconhecível.

É  o mundo dá voltas e olha onde eu tive que vir parar pra reencontrar o passado…

17:29 – Segunda – Feira – Boston – Massachusetts

Mari…

CONTINUA…

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